quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O papel do contador na gestão tributária dos pequenos empreendimentos

A gestão de tributos é um dos fatores primordiais para o sucesso de qualquer empreendimento no Brasil. Não é à toa que a carga tributária é uma das principais dificuldades apontadas pelos empresários, pois, de fato, a voracidade do fisco, velha conhecida do povo brasileiro, traz graves impactos à operacionalização de qualquer empresa e é um dos principais componentes do chamado “Custo Brasil”. Existem, porém, maneiras de minimizar o efeito dos impostos, taxas e contribuições na saúde financeira e econômica dos empreendimentos.
Em um país no qual são criadas cerca de trinta e sete novas normas tributárias a cada dia (segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT), os gestores devem estar, acima de tudo, muito bem informados. Ainda assim, o que notamos, em especial nas micro e pequenas empresas, é a falta de orientação dos empresários, os quais muitas vezes não realizam sequer um planejamento tributário adequado.
A falta de preparo para lidar com os altos tributos faz com que uma grande parte desses empreendimentos atuem na informalidade ou recorram a práticas ilícitas de sonegação fiscal para manter as suas atividades e sobreviver, o que é prejudicial para a sociedade, para o mercado, para a economia e para a própria empresa, a qual terá dificuldades de crescimento.
Para que o empreendimento se desenvolva corretamente é preciso que a gestão tributária seja implementada desde o seu nascimento, ainda na escolha do regime de tributação, pois, ao contrário do que crê o senso comum, nem sempre a opção pelo Simples Nacional é a mais vantajosa.
Destaca-se aí o papel do contabilista nesse processo de educação tributária de seus clientes de pequeno porte. O contador é o profissional responsável pela geração de informações sobre o patrimônio da empresa, evidenciando a sua situação econômica e financeira. Assim, não basta apenas apurar os impostos e gerar guias de recolhimento, ele deve ter também um papel-chave na construção de uma rotina de gestão de tributos.
Especialmente nas micro e pequenas empresas, onde os gestores (que, normalmente, são os próprios empresários) não possuem, na maioria dos casos, o conhecimento necessário da legislação tributária, o contador deve voltar esforços para expor com clareza as opções disponíveis para a tomada de decisão, indicando as vantagens e desvantagens de cada caminho.
Ressalta-se que, para assumir esse papel, o contador deve estar preparado para encarar esse desafio. Dessa forma, é importante que o profissional da contabilidade esteja sempre atualizado, atento às mudanças repentinas desse confuso cenário tributário brasileiro. É um trabalho árduo, porém bastante recompensador.
Outro aspecto vital para uma boa gestão tributária é a organização. E para que uma empresa possa ser considerada realmente organizada não basta apenas manter em boa ordem os seus documentos. A organização, em um sentido mais amplo, abrange também a “organização contábil”, com a manutenção de uma escrituração completa (ainda que simplificada, no caso das micro e pequenas empresas) e que reproduza fielmente a situação patrimonial, econômica e financeira daquela entidade.
Muitas pequenas empresas utilizam-se de regalias concedidas pela legislação fiscal para não manter os registros contábeis completos, o que, no final das contas, acaba se tornando um “tiro no pé”, pois nenhum empreendimento consegue se desenvolver de forma sólida sem as informações geradas pela contabilidade.
De maneira geral, a Gestão Tributária é a principal arma dos pequenos empreendimentos contra a voracidade do fisco e cabe ao contador a tarefa de muni-la com as informações necessárias para o seu correto funcionamento.



Por: André Charone Tavares Lopes publicado no BlogContábil

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Filosofia de Sócrates no Mundo Corporativo


Tudo o que sei é que nada sei. Antes, saber que nada sabe, que pensar que sabe, sem nada saber. Aí consiste a minha sabedoria.” Sócrates – Filósofo Grego – Séc.V a.C.

Competitividade e gestão da informação são duas competências essenciais na vida corporativa. É preciso estar bem informado para ser mais competitivo e ter maior empregabilidade no mercado.
Informação é poder: uma realidade nas relações interpessoais modernas e que transforma jovens, e não tão jovens executivos, em vorazes buscadores da informação, muitas vezes, verdadeiros “dependentes desse consumo”.
Hoje, estar conectado nas mídias sociais não é só uma opção ou escolha, é uma necessidade.
Consequentemente, as pessoas estão mais bem informadas. Porém, isso não significa que estejam mais competentes!Afinal, entre a informação e o conhecimento existe um enorme abismo, assim como há uma distância significativa entre o conhecimento e a sabedoria.
A crescente complexidade do mercado, fruto do avanço tecnológico e da velocidade da inovação, faz com que as organizações precisem de líderes que sejam mais “sábios” e não apenas mais bem informados.
O líder precisa estar conectado à informação. Sem dúvida. Entretanto, é primordial que esteja conectado consigo mesmo. Em outras palavras, não basta recebermos a informação que vem de fora, é preciso também ouvirmos aquilo que está dentro de nós mesmos.
Sem essa conexão entre o que percebemos e aquilo que temos ou somos, as informações se tornam vazias, sem significado.
Tenho visto executivos gastarem muito tempo para colherem informações, transformá-las em gráficos e belas apresentações em Power Point e usarem tão pouco tempo para refletir sobre o que essas informações realmente significam. Qual o verdadeiro impacto disso sobre a vida das pessoas e da própria organização.
Tenho visto líderes usarem apenas dados matemáticos, gráficos e estatísticas para tomarem suas decisões, acreditando que essas informações, por si só, já os tornam sábios.
Líderes que não têm conseguido dar a dimensão humana à sua gestão porque se baseiam apenas naquilo que vêem e ouvem, sem darem atenção àquilo que sentem e, especialmente, àquilo que os outros sentem.
Pesquisas de opinião são ótimas ferramentas, mas não substituem o relacionamento com o cliente. Pesquisas de clima também são ótimas ferramentas, mas não substituem o diálogo franco, o feedback verdadeiro e o olho no olho com os colaboradores.
Estar bem informado é uma competência essencial, mas ser capaz de enxergar a relevância das informações requer algo a mais: o conhecimento.
Talvez alguns se perguntem: mas, o conhecimento não é fruto da informação? Sim, sem dúvida. Todavia não é uma conseqüência direta.
Para que uma informação se transforme em conhecimento é preciso levá-la para dentro de si mesmo, refletir sobre ela, degustá-la, avaliar seu valor e somá-la àquilo que já temos em nós mesmos.
E isso exige tempo. Um tempo de maturação da idéia. O tempo da diferença entre devorar e sentir o sabor.
Por isso, mais importante do que o volume de informações que temos é a qualidade das informações que processamos. Mais importante do que o tempo que usamos para buscar informação é aquele que reservamos para pensar, refletir sobre essa informação.
É fascinante perceber que essa caminhada para o conhecimento pode nos levar até algo infinitamente maior: A sabedoria e a sua capacidade de nos fazer enxergar os resultados, as pessoas, a organização, a comunidade e o mundo de forma integrada.
Sabedoria: fruto da informação e do conhecimento baseados na reflexão, alicerçados na humildade.
A doce humildade que nunca se confunde com a ignorância. Aquela doce humildade que nos conserva em um estado de eternos aprendizes.
De professos da verdade filosófica de Sócrates: “Tudo que sei, é que nada sei”.
Transformar informação em conhecimento e conhecimento em sabedoria, eis aí um bom desafio…
Um grande abraço.
Postado por Flávio Lettieri em  http://www.sommaonline.com.br/blog

Não-cumulatividade das leis 10.637 e 10.833 para o PIS e para COFINS

O regime de não-comutatividade assim definido não é de uma compensação ‘imposto sobre imposto’

A primeira observação a fazer é que as mencionadas leis adotam a técnica de prever deduções ao montante apurado mediante a aplicação da alíquota sobre a base de cálculo. Vale dizer, a alíquota incide sobre a totalidade da base, mas o montante a recolher será o resultado da aplicação de certas deduções.
A segunda observação é de que, na redação original dessas leis, os valores a serem deduzidos não estavam atrelados à circunstância de ter havido incidência, cobrança ou pagamento de PIS/COFINS em momento anterior; com a Lei nº 10.865/2004 introduziu-se tal exigência. Ou seja, a dimensão dos ‘créditos’ previstos no art. 3º decorre do simples fato de configurar-se uma das hipóteses dos incisos.
Ou seja, o regime de não-comutatividade assim definido não é de uma compensação ‘imposto sobre imposto’; haver incidência anterior é requisito de identificação do item que dará direito ao crédito, mas não há dedução do respectivo montante, não há dedução de PIS/COFINS incidente sobre a receita do vendedor, locador, prestador de serviço, etc. criou-se um direito de deduzir em ‘crédito’ calculado ‘em relação’ aos itens enumerados que tenham gerado incidência e não ‘no montante’ da incidência ocorrida.
Vale dizer, as leis em questão criaram um critério próprio de operacionalização de não-comutatividade que, em parte, se assemelha ao ‘base sobre base’ - na medida em que relevante é o valor dos itens enumerados e não o valor das contribuições incidentes - e ao ‘imposto sobre imposto’, pois o montante não é excluído da base sobre a qual incidirá a alíquota, mas sim do próprio valor das contribuições, apurado pela aplicação da alíquota sobre a base de cálculo (= ‘receita’) (conceito Marco Aurélio Greco).
Na análise sistemática de não-comutatividade adotada pelas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, conforme se constata da leitura do seu artigo 3º, temos que o Poder Executivo optou pelo Método Indireto Subtrativo, como forma de garantir a neutralidade da incidência da Contribuição ao PIS sobre todos os agentes da cadeia comercial.
Essa opção do legislador (em verdade, do Poder Executivo) encontra-se expressa na mesma Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 135, que assim esclarece:
7. Por se ter adotado, em relação a não-comutatividade, o método indireto subtrativo, o texto estabelece as situações em que o contribuinte poderá descontar, do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação aos bens e serviços adquiridos, custos, despesas e encargos que menciona.
Assim, está claro que, embora o caput do artigo 3º das citadas leis faça referência a crédito, não estamos diante do Método de Crédito de Imposto, tal como aplicado para o IPI e para o ICMS, porque neste ultimo método, em decorrência de sua sistemática, o valor do tributo devido na etapa anterior da cadeia vem informado no documento fiscal; já naquele método (IndiretoSubtrativo), eleito pelas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para ser aplicado às contribuições sociais, o próprio contribuinte deve apurar o valor a ser debatido da aplicação da alíquota sobre o montante das vendas ou das prestações de serviço:       
PIS/COFINS = (Alíquota x Receitas) - (Alíquota x Compras).
 A legislação referente à Contribuição ao PIS e à COFINS, dessa forma, não adotou o mesmo mecanismo do ICMS e do IPI. Portanto, não há o que se falar em discriminação na nota fiscal do valor representativo desse encargo tributário. O que significa dizer, em nosso opinião: (i) não haverá destaque da Contribuição ao PIS e da COFINS em nota fiscal; (ii) em decorrência, o critério de registro contábil dos créditos fiscais não poderá (ou não deverá) ser aquele mesmo adotado para o IPI e o ICMS.
Fonte: Maph

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Parcelamento das dívidas pode evitar exclusão do Simples Nacional

Projeto de Lei Complementar PLP nº 591/2010

Atualmente 4 milhões de empresas brasileiras são beneficiadas pelo Simples Nacional (SN) e em 2011 cerca de 10% podem ser excluídas desse regime devido a situação de inadimplência e irregularidades que se encontram, segundo informações da Receita Federal. A exclusão dessas empresas do SN gerará um grande impacto econômico a sociedade brasileira, trazendo de volta cerca de 560 mil à informalidade. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2009, R$ 578 bilhões foram movimentados por trabalhadores informais, valor que corresponde a 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB). E por conta disso, o Simples Nacional é um importante aliado dos micro e pequenos empresários brasileiros e da economia brasileira, que diminui a informalidade, oferece tributos diferenciados, reduzindo em até 60% em algumas regiões.
De acordo com o presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Valdir Pietrobon, hoje quase 90% das empresas regularizadas no Brasil estão cadastradas no Simples Nacional e a exclusão de 10% delas seria sinônimo de retrocesso, onde empresas deixarão de ser existir para a economia brasileira. “A exclusão causará efeitos nocivos à economia brasileira, devido ao aumento da informalidade”, ressalta.
A entidade trabalha junto aos líderes do governo para que ocorram mudanças na legislação brasileira e possibilite cada vez mais que micros e pequenos empresários possam aderir ao Simples Nacional em 2011, além de fazer com que os já participantes do regime, possam ampliar seu limite de faturamento, estimulando a atividade empresarial neste segmento. Para Pietrobon, uma das soluções para a não exclusão seria a aprovação das mudanças na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que tramita no Congresso Nacional. “O projeto sugere medidas que tem como objetivo principal formalizar os empreendimentos informais e entre as mudanças está o parcelamento especial automático dos débitos tributários devidos ao Simples Nacional. Com isso, os devedores terão a possibilidade da renegociação”, informa.
Parcelamento das dívidas
A entidade participou da elaboração do Projeto de Lei Complementar PLP nº 591/2010, que se aprovado, dará as micros e pequenas empresas brasileiras a opção de parcelar seus débitos tributários devidos ao Simples Nacional (SN). Contudo, os critérios e procedimentos para parcelamento dos recolhimentos em atraso serão definidos pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. De acordo com o projeto, a previsão de parcelamento especial leva em conta a capacidade econômico e financeira das pequenas empresas e a frequência com que elas se veem em situação de inadimplência.
Fonte: Paranashop

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Falta o essencial no “Triple Bottom Line"

Muito se fala do Tripé da Sustentabilidade: o pilar econômico-financeiro, o Social e o Ambiental. No meu modo de ver, falta o quarto e principal componente: a capacidade de desenvolver líderes em todos os níveis, não apenas no topo. Estou convencido que as empresas vencedoras nessa nova época serão aquelas que souberem montar verdadeiras “Fábrica de Líderes”.  A sobrevivência  – ou se preferir, a longevidade, a perpetuidade, a sustentabilidade a longo prazo das empresas –  será diretamente proporcional à sua capacidade de desenvolver líderes de qualidade, além de serem capazes de oferecer produtos ou serviços de qualidade. Líderes eficazes, repito, não apenas gerentes eficientes.
Ao longo da minha carreira tenho tido a oportunidade de conviver com vários líderes inspiradores em diversas partes do mundo. São líderes – homens e mulheres, alguns bastante jovens –  diferenciados, notáveis, mesmo aqueles que são anônimos por não ocuparem cargos nem posição social de destaque. Mas exercem a liderança de forma muito competente.
Inspirado pela convivência com alguns desses líderes de carne e osso, e baseado na minha própria prática de quase três décadas, nos últimos anos tenho concebido e coordenado alguns Programas de Desenvolvimento de Líderes bastante diferenciados dos tradicionais cursos e seminários institucionais oferecidos sobre o tema. Ao lado dos meus colegas e sócios da Empreenda, tenho me empenhado em desenvolver Líderes 2.0, um tipo de líder inspirador, muito diferente daquele Líder 1.0 que encontramos com freqüência muito maior.
Esse novo tipo de líder se destaca por reunir cinco características ou as Cinco Forças do Líder Inspirador:
Define com clareza o Rumo, o Propósito Comum
O Líder 2.0 oferece às pessoas aquilo que mais desejam: uma bandeira, uma razão para suas vidas. Acreditam que as pessoas estão dispostas a oferecer o melhor de si e até mesmo a fazer sacrifícios, desde que se identifiquem com uma Causa, um Porquê para o seu cotidiano.
Valoriza a estrela que existe nos outros
O Líder 2.0 não se satisfaz em ter atrás de si um grupo de pessoas seguindo fielmente o rumo traçado e recompensado pela sua lealdade. É aquele que tem em torno de si pessoas capazes de exercer a liderança quando necessário.  Cria mecanismos, atitudes e posturas que estimulam o desenvolvimento do líder que existe dentro de cada um com quem convive. Forma, assim, outros líderes, seu maior legado para o futuro da organização.
Cuida do todo não apenas da parte
O Líder 2.0 atua onde faz diferença. Não comanda apenas uma equipe de subordinados dentro das paredes de uma empresa. Exerce a liderança também “fora”, para cima e para os lados: lidera clientes, parceiros, comunidades e influencia chefes, colegas e acionistas.
Faz mais que o combinado
O Líder 2.0 não é aquele que apenas chega aonde anunciou antes. Não basta cumprir metas. É aquele que surpreende pelos resultados incomuns que obtem de pessoas comuns. Sabe compatibilizar o hoje com o amanhã. Garante o presente enquanto constrói o futuro.
Inspira pelos valores
O Líder 2.0 constrói um mapa de atitudes em torno de valores que são explicitados, disseminados e praticados. Cria um clima de ética, integridade, confiança, respeito, transparência, aprendizado contínuo, inovação, paixão e humildade.  Educa pelo exemplo. Prima pela coerência entre o que diz e o que faz. Lidera a si mesmo antes de pretender liderar os outros.
E você? Quais desses pontos você já pratica? Quais precisa praticar mais? Temos de evitar atuar no novo jogo da liderança usando a velha forma de pensar que nos prende ao passado.
Que essas provocações possam motivá-lo a se transformar em um Líder 2.0, “abandonando as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecendo os velhos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares”, como nos ensina os bonitos versos do grande poeta da língua portuguesa, Fernando Pessoa.

Por CÉSAR SOUZA
Setembro 2010 - época negócios

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ICMS não pode ser cobrado de contribuinte substituído

O pedido de suspensão de liminar e sentença apresentado pelo Estado foi indeferido

Em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que, quando há ordem judicial impedindo o fisco de lançar o imposto em relação ao chamado contribuinte substituto tributário, não há fundamento para a fiscalização exigir esse imposto do contribuinte substituído. Desta forma, o presidente do Superior Tribunal, ministro Ari Pargendler, indeferiu o pedido de suspensão de liminar e de sentença apresentado pelo estado do Rio Grande do Sul com objetivo de suspender os efeitos de medidas liminares deferidas pelo Tribunal de Justiça gaúcho.
No caso, empresas distribuidoras de medicamentos que, nas suas operações de venda, também entregam mercadorias em bonificação, obtiveram ordem judicial reconhecendo que não estão obrigadas a recolher o ICMS próprio e o ICMS-ST em relação às mercadorias remetidas em bonificação.
O advogado tributarista Ricardo Bernardes Machado, sócio do escritório Bernardes Machado Advogados Associados, comenta a decisão e suas implicações nos setores que realizam esta operação.
Jornal do Comércio - Como funciona o processo de substituição tributária?
Ricardo Bernardes Machado - O ICMS é um imposto que é cobrado de cada agente que participa do ciclo de comercialização de algum produto. A indústria que fabricava o produto, quando vendia para um distribuidor, pagava o ICMS. O distribuidor, quando vendia para um varejista, pagava o ICMS também. O varejista, quando vendia para o consumidor, pagava esse imposto sobre esta operação. Então, a fiscalização tinha que ser realizada para cada um destes agentes da etapa. Como isto dava muito trabalho, se criou o mecanismo da substituição tributária. Desta forma, a legislação estabelece que o primeiro desta cadeia, no caso a indústria, recolha o ICMS da operação dele e também o antecipado de todos os demais agentes que compõem a cadeia de comercialização. 
JC - Como será calculado o valor do ICMS destes produtos que ainda não foram vendidos?
Machado - O industrial vai ter um valor de ICMS próprio e também o chamado ICMS de responsabilidade por substituição tributária. Por exemplo, ele vendeu uma mercadoria por R$ 100,00 e a legislação então faz uma presunção de quanto esta mercadoria seria vendida no varejo. Como é uma tributação antecipada não se tem o preço exato, assim, se estabelece as margens de valor agregado e sobre esse cálculo se obtém o valor do ICMS da substituição tributária.
JC - O que são mercadorias de bonificação?
Machado - É aquela operação que a indústria oferece a alguns produtos de graça. A distribuidora compra dez e ganha um. São os chamados brindes. Então, há uma discussão se esse brinde deveria ou não ser tributado. Essa é uma forma de dar desconto, mesmo que o produto acabe sendo vendido posteriormente. 
JC - Qual a discussão central em relação a esta decisão do STJ?
Machado - Aqui no Rio Grande do Sul, a substituição tributária de medicamentos começa na distribuidora, e se trabalha muito com a bonificação ao invés de dar desconto no pagamento. Assim, o Tribunal de Justiça gaúcho entendeu que não deveriam ser tributadas estas bonificações. Porém, a Fazenda Estadual decidiu cobrar de quem recebia os brindes, no caso o varejista. A discussão então era se o substituído que recebe a mercadoria tem algum tipo de responsabilidade ou não. O STJ entendeu que não. 
JC - Esse substituído pode ter responsabilidade em alguma situação?
Machado - O STJ diz que o substituído nunca é responsável pelo pagamento. Desta forma, quem recebe mercadoria com substituição tributária nunca pode ser cobrado, porque a responsabilidade é sempre do substituto. É este o ponto principal da decisão, independentemente se o produto é uma bonificação ou não. Esta é a interpretação do STJ.
JC - Esta decisão se reflete em outros setores da economia?
Machado - Sim, porque essa ferramenta de bonificação é utilizada em diversos setores e muitos deles estão discutindo sobre a cobrança dessa tributação. O setor de automóveis estava debatendo recentemente se o valor do frete deveria ser computado na base de cálculos. Embora, nesse caso, a cobrança seja devida, ela não pode ser de responsabilidade da concessionária.
Fonte: Jornal do Comércio

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Como manter a equipe motivada para trabalhar com garra e determinação



Este parece ser uma dos problemas mais comuns dos gestores de equipes de trabalho, principalmente daqueles que precisam gerenciar grupos com metas altamente desafiadoras


A situação é tão comum que não seria difícil imaginar gerentes ou supervisores de equipes "apanhando" no seu dia-a-dia na tentativa de motivar suas equipes sem sucesso aparente. Por que será que é tão difícil motivar uma equipe? Na verdade não é tão difícil quanto parece, não que seja fácil tampouco.
Mas, se os gestores seguirem alguns passos, aqui mencionados, certamente poderá ser mais fácil. 
Uma dica é: seja claro com suas expectativas quanto ao desempenho da equipe, tanto para cima quanto para baixo. A grande maioria dos gestores costuma deixar bem claro para suas equipes quais serão os prêmios e/ou benefícios caso demonstrem alto desempenho, ou seja, se o profissional atingiu a meta proposta. Entretanto, vejo pouquíssimos fazerem o mesmo quanto ao baixo desempenho de uma equipe.
Em situações assim, a equipe sabe claramente o que pode acontecer quando os desafios ou metas são superados, mas não tem noção do que pode acontecer caso não superem seus desafios. Quando essa situação se torna realidade, teremos então a típica situação em que o gestor pode ser visto como uma pessoa "desmotivadora", pois geralmente a atitude necessária do gestor diante de um desafio não superado exige a tomada de decisões "impopulares" ou mais "dolorosa" com a equipe. Assim, ele é visto como pouco habilidoso em motivação de equipes.

Ao longo dos nossos 17 anos de atuação como consultoria comprovamos que os problemas entre o gestor e sua equipe dificilmente se dão por conta da tarefa que deve ser feita, mas pelo modo como ela é feita.
Quando devem executar uma tarefa, os integrantes da equipe sabem quase 80% do QUE deve ser feito, mas não conseguem imaginar nem 20% do COMO deve ser feito. Para reverter a situação, instrumentos de descrição de cargos ou equipes de trabalho com informações de como a empresa e o gestor esperam que o trabalho seja feito são grandes aliados para resolver esse impasse.
Ela irá definir, por exemplo, se o trabalho requer mais precisão e ordem do que cumprir prazos, ou se ele deve ser realizado por meio de relacionamentos pessoais ou de maneira mais precisa e impessoal. Com isso será possível equacionar o problema e diminuir as chances de ocorrer um desentendimento entre gestor e equipe.
Outra dica que dou ao gestor é identificar o perfil pessoal, os comportamentos, de cada integrante da sua equipe. Para isto, pode se valer de instrumentos próprios para esta tarefa ou aguçar a sua percepção de comportamentos observáveis com o fim de identificar o perfil comportamental de cada um dos integrantes de sua equipe. O objetivo principal disto é entender quatro pontos fundamentais para a motivação de pessoas: o que motiva esta pessoa e o que desmotiva? Quais os talentos e quais são suas limitações?
Acredito no pressuposto de que tratar consistentemente um profissional não quer dizer tratar a todos por igual, mas tratar a cada um como ele gosta de ser tratado. Este é um dos pontos cruciais para manter uma equipe motivada e com garra. Simplificando: para motivar o profissional, trate-o do jeito que ele mais gosta.
Por meio destes passos certamente a tarefa do gestor em motivar sua equipe será facilitada. Entretanto, nunca se esqueça que motivar pessoas é como construir uma ponte com duas equipes, uma em cada lado do rio. Ela só poderá ser feita se cada equipe fizer sua metade. Faça você a sua! 

Por Víctor Martínez
Publicado no Administradores.com.br

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tributos preocupam mais as empresas do que infraestrutura

Os problemas fiscais do Brasil são apontados pelos empresários como o maior gargalo para a competitividade do País frente a outros países. Em pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência a pedido da Câmara Americana de Comércio (Amcham), para 59% do total de 500 associados entrevistados, a Carga Tributária e eficiência dos gastos ou uso de recursos pelo governo são fatores de maior preocupação. A percepção é bem superior a outro grande gargalo para o Crescimento econômico brasileiro, segundo especialistas: a infraestrutura. Somente 16% dos consultados indicaram logística, energia, Tecnologia de informática (TI) e telecomunicações como problemas para o País.
Uma das explicações para esta situação apontada na pesquisa é de que já há planejamentos para a infraestrutura no Brasil, enquanto que para as questões fiscais, não há horizonte definido, como, por exemplo, a Reforma Tributária. Essa foi uma das conclusões expostas por representantes de importantes associações produtivas, que participaram de debate realizado ontem pela Amcham.
Porém, estas questões dependem de cada setor. O Economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Amilcar Lacerda de Almeida, presente no evento, comenta que no caso deste setor, o maior gargalo é a infraestrutura. Por outro lado, ele espera que seu setor avance de 5% a 5,5% este ano e entre 4% a 6% em 2011.
Paralelo a isso, a pesquisa da Amcham e do Ibope mostrou que a influência do próximo governo em esferas sociais, apontadas como importantes para a Expansão econômica, não afetam seus negócios. Para 49%, as perspectivas na área de educação para o próximo mandato em nada afetam os empresários. Da mesma forma pensam 68% do entrevistados na área de saúde. Em contrapartida, 48% responderam que a esfera fiscal e tributária é a que mais afeta negativamente os negócios. Com relação ao impacto positivo à empresa, 40% indicam que será aEconomia futura.
Já os representantes de associações que debateram as perspectivas de 2011 na Amcham afirmam que a falta de capacitação profissional é um dos problemas mais enfrentados na contratação de pessoal. "Há 70 mil vagas abertas no setor de TI que não conseguimos preencher por falta de gente especializada", revela Nelson Wortsman, diretor de Convergência Digital da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).
Otimismo
De acordo com Mara Lacerda, diretora de produtos e Serviços da Amcham, o objetivo da pesquisa era levantar as tendências de mercado e empresariais para 2011. "A conclusão a que se chegou é que os empresários estão bastante otimistas com o Crescimento econômico deste ano e acreditam que haverá manutenção deste avanço em 2011", disse, ao explicar os resultados. Do total, 81% esperam crescimento mais intenso do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010. Para 2011, 67% compartilham desta previsão.
Com relação à inflação, os empresários acreditam em estabilidade tanto em 2010 (69% do total), quanto em 2011(57%). Da mesma forma, os entrevistados projetam estabilidade do Câmbio para os dois anos (57%, para 2010, e 61%, para 2011), como também para os juros (54% e 46%, respectivamente).
Ainda segundo a pesquisa, 87% projetam aumento das vendas para 2011, contra 79% que esperam elevar o Faturamento neste ano. Outro dado importante do levantamento indica que o número de empresas que ampliarão Investimentos aumentou de 55% para 63 % em 2011.
Quando questionados sobre competitividade e as oportunidades de Investimento e crescimento oferecidas à iniciativa privada e ao governo, os executivos acreditam mais nas empresas. Segundo a pesquisa, sobre as companhias, 40% acreditam que elas aproveitam intensamente as oportunidades, e 52% acham que de certa forma elas o fazem. Em relação ao governo, 42% dos respondentes acham que aproveitam muito pouco as oportunidades, e 48% acreditam que utiliza certa forma.
Perspectivas
O vice-presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Julio de Siqueira Carvalho de Araújo - participante do debate de ontem na Amcham - estima, com base em pesquisa recente feita pela Federação que o PIB cresça entre 4,5% e 5,5% em 2011 e que a Inflação feche entre 4,5% e 5% no próximo ano. Sobre a Taxa Básica de juros (Selic) ele espera encerrar em 11,25%, abaixo do previsto por Luiz Moan Yabiku Júnior, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Isto é, ele espera taxa a 11,75%.
Um dos mais otimistas com seu setor é o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon), Sérgio Tiaki Watanabe. "No começo do ano, prevíamos crescimento de 9% para 2010. Agora estamos revendo este percentual, o qual deve chegar a alta de 10% ou 11%", estima. "Mas ainda temos muitos desafios pela frente", acrescenta.
 
Por Fernanda Bompan
Fonte: DCI

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A relação “quase perfeita” entre o desafio e a habilidade


No seu dia-a-dia profissional e/ou acadêmico, você já passou por uma sensação de fazer uma atividade com tanta destreza e concentração que nem percebeu o tempo passar e quando se deu conta já era noite? Em outra situação, o que você estava fazendo era tão desafiador, tão prazeroso, tão estimulante que você não percebeu o tempo passar e quando o dia começou a amanhecer você teve a certeza que o resultado final foi excelente. Você consegue lembrar-se da última vez que isso aconteceu? O que você estava fazendo? Quais eram as condições, os recursos, o tempo para entrega? Esse momento de “fluir espontâneo” é chamado pelo pesquisador húngaro, Mihaly Csikszentmihalyi, de Flow ou Experiência do Fluxo, no seu livro “Gestão Qualificada”, da Editora Bookman.

 O flow faz com que possamos nos sentir melhor no momento, capacitando-nos a experimentar o incrível potencial do corpo e da mente trabalhando em perfeita harmonia. A persistência supera o talento, ou seja, o flow exige mais esforço do que prazer. A dedicação, repetição e disciplina ajudam a tornar o desempenho quase perfeito.


Um elemento básico para essa experiência de flow é que a tarefa a ser cumprida atrai, por sua complexidade, com tanta intensidade, que as pessoas chegam a se perder em si mesmas. Podemos ter algumas situações onde é possível alcançarmos este estado de espírito:
  1. Quando temos metas claras;
  2. Recebemos feedback imediato constantemente;
  3. Quando temos um equilíbrio entre oportunidade e capacidade;
  4. Ficamos concentrados rapidamente;
  5. O foco é “no quê e no como” estamos fazendo;
  6. Temos o controle da situação;
  7. A noção do tempo é alterada (não queremos que termine o momento);
  8. A perda do ego, da individualidade.
Por exemplo, numa certa manhã você tem bem claro quais são as suas metas para aquele dia e inicia rapidamente a tarefa. Em poucos minutos você está concentrado no que está fazendo que nem percebe o tempo passar e, quando olha o relógio, já são 15 horas. Seus colegas conversam com você e dizem que em determinado momento tentaram chamá-lo para o almoço, mas você nem respondeu. O trabalho está feito e ao entregá-lo ao seu líder não só ele aprova como também lhe dá os parabéns. Você até fica meio sem graça, pois foi uma atividade relativamente fácil e você divertiu-se ao fazê-la.

Esta relação “quase perfeita” entre o desafio de uma tarefa e a sua habilidade de realizá-la exige um investimento em se conhecer, no uso dos seus pontos fortes e também na oportunidade de encontrar algo na vida que lhe dá prazer. Se o desafio é muito maior que a habilidade, a sensação é de ansiedade. E se o desafio é muito menor do que a habilidade, a sensação é de marasmo. Quando o desafio pede que sejamos levados para além da nossa área de conforto, saímos do invólucro. O prefixo ‘DES’ significa “não estar”. Desenvolver é sair da área de conforto. Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
E aqui vai uma Dicaduka: Nessa semana registre as suas atividades e perceba aquelas que mais lhe dão prazer. Faça outra lista com as atividades que você faz na qual a complexidade é alta e o resultado excelente. Existem algumas atividades que se repetem nas duas listas? Seu sucesso profissional e pessoal depende muito dessa intersecção:
O que você gosta de fazer   X   O que você faz muito bem
 Mochila nas costas e até a próxima trilha!
Por Paulo Campos
Publicado no http://vocesa.abril.com.br/blog/mochileiro-corporativo