O que muda nas empresas com as IFRS
Entrevista exclusiva com Luciano Perrone, diretor executivo da LCR Terceirização Consultoria Assessoria, sobre o impacto das IFRS nas empresas brasileiras.
Perspectiva ABC71 – O que tratam as IFRS?
Luciano Perrone - As IFRS – International Financial Reporting Standard – são as normas internacionais de contabilidade emitidas pelo IASB – International Accounting Standard Board. Essas normas passaram a vigorar em 2002 na Europa, onde as empresas tiveram que apresentar seus demonstrativos em 2005. No Brasil, em 2007, houve a primeira implementação das normas internacionais de contabilidade para que as empresas brasileiras pudessem se adequar.
Perpectiva ABC71 – Por que foram criadas estas normas?
Perrone – As IFRS foram criadas com o objetivo de manter uma unidade contábil em um mercado altamente globalizado. O que acontecia é que antes das IFRS cada país tinha sua legislação contábil e quando uma empresa européia, por exemplo, tinha a intenção de realizar uma fusão com uma empresa asiática, as informações pertinentes a cada uma não "conversavam". Ou seja, essas normas foram criadas no intuito de haver uma contabilidade harmônica entre os diferentes países. Foi uma necessidade de mercado.
Perpectiva ABC71 – Essa legislação é válida para todas as empresas, inclusive para as pequenas e médias?
Perrone – Sim, todas as empresas precisarão adequar seus demonstrativos, inclusive as pequenas e micro empresas. Há uma obrigatoriedade desde janeiro de 2010, por meio da Resolução 1255 do Conselho Federal de Contabilidade, para que as pequenas e médias também possam trabalhar dentro das normas internacionais reconhecidas, a diferença é que o manual das IFRS para grandes empresas possui aproximadamente 2800 páginas, enquanto que para as PMEs são apenas 300 páginas.
Perspectiva ABC71 – A partir de quando as grandes empresas precisam apresentar seus demonstrativos no novo formato?
Perrone - As empresas de capital aberto já tiveram dois prazos para se adequarem. As empresas que abriram seu capital até 31/12/2006 precisam apresentar o balanço de 2010 comparativo ao de 2009, para ser publicado em abril de 2011, já com as devidas alterações das IFRS. Já as empresas que abriram seu capital á partir de janeiro de 2007, tiveram a obrigatoriedade de emitirem seus balanços de 2009 comparativo ao ano anterior, este ano.
Perpectiva ABC71 – O que muda na empresa com as IFRS?
Perrone – Primeiramente, é necessário informar que com as IFRS muda o modo como a empresa enxerga as questões contábeis. E diante disso, há uma mudança de paradigma dentro da própria organização. A empresa precisa entrar em contato com as informações, analisá-las, entender os impactos para que possa planejar a migração. Ou seja, a empresa terá que rever seus processos, seu sistema, seus controles internos já que haverá um aumento no número de controles. Outra questão que merece destaque é o fato de que a área contábil terá um contato maior com outras áreas da empresa. No caso de uma transportadora, o contabilista precisará de informações a respeito da depreciação real de um veículo feito por um especialista a fim de que aquele novo dado seja incorporado ao novo formato de demonstrativo proposto pelas IFRS. A imagem do contador que apenas trabalha no cálculo dos impostos vai mudar, pois ele será parte chave de um processo maior de transparência e de governança corporativa que essa nova legislação propõe. O ponto positivo de todas essas mudanças é uma maior valorização da área contábil e do profissional envolvido dentro das instituições.
Perpectiva ABC71 - Qual é o grande desafio da empresa para se adequar à essa legislação?
Perrone – Inicialmente, a empresa precisará entender o impacto que sofrerá com as normas internacionais, considerando que nem todas as companhias sofrerão os mesmos ajustes e adequações contábeis. O ponto importante é que, seja qual for o seu porte e sua atividade, a companhia terá que traçar uma estratégia para se adequar, sempre pensando em alguns pilares que fazem parte da implantação, como o negócio, os sistema, os processos operacionais e o capital intelectual.
Perspectiva ABC71 – No que um sistema de gestão como o Omega pode contribuir para a adequação da empresa à IFRS?
Perrone - As IFRS alteram as formas de algumas contabilizações. Por isso há mais geração de relatórios, maior fluxo de informações, maior flexibilização em alguns controles entre inúmeras mudanças de processos internos. Um ERP como o Omega é um grande banco de dados onde estão concentradas todas as informações da empresa, de forma organizada, centralizada e segura. Quando uma empresa expõe suas informações em planilhas Excel, por exemplo, há um grande risco de que aqueles dados não possam ser rastreados, nem assegurados em um contexto maior. Por conta disso, há mais risco de vulnerabilidade na contabilidade. Assim sendo, podemos dizer que a utilização de um ERP traz mais confiabilidade e segurança nas informações apresentadas.
Perspectiva – O que você gostaria de ressaltar às empresas que já estão pensando em se preparar para as IFRS?
Perrone – Eu gostaria de ressaltar que não há um único padrão de alteração para todas as empresas, são aproximadamente sessenta normas internacionais entre pronunciamentos e interpretações. Vinte delas podem ser aplicáveis ao seu negócio, 35 aos negócios da empresa vizinha e 17 na instituição do seu amigo. O importante é que o gestor tenha em mente que os seus processos serão afetados e o quanto antes se antecipar e planejar essas mudanças, menos riscos ele vai ter.
Luciano Perrone é diretor executivo da LCR Contabilidade.
Para mais informações sobre as IFRS, por favor, acesse o site
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